A ansiedade é enorme. Daqui uns 15 dias, o disco deve estar chegando da fábrica. depois de todo o processo de gravar um disco duplo, com 33 faixas, que envolvia a produção ou seleção dos instrumentais, a escrita das letras, os convites para as participações, as gravações propriamente ditas, mixar o material, masterizar, tirar fotos para a capa. O processo todo é longo, cansativo e envolve milhões de escolhas o tempo todo. E escolhas são dolorosas na maioria das vezes, mas a vida é assim, não dá pra ter tudo na vida. A dor também é um ingrediente necessário na vida.
Aí, quando você pensa que vai conseguir descansar, começa o novo processo: fechar parcerias para a distribuição, release, colocar um site no ar, criar um plano de divulgação, negociar com lojistas, ensaiar o repertório novo, montar um show. A lista de tarefas é interminável.
Minha opinião sobre esse disco é só uma:
É o trabalho mais consistente que eu já fiz na minha vida.
Quatro emcees que com a convivência, conseguiram algo raro nos grupos hoje em dia, que é unidade, sem perder a expressão individual. O grupo tá coeso, e quem ouvir o disco com atenção vai perceber isso.
Em relação à produção, tivemos contribuições muito importantes do Dario, DJ Caíque, Cabes e Nave e eu mesmo produzi algumas das faixas. Abaixo um faixa a faixa rápido do disco.
Disco 1 - Lista de Músicas
1 - Contratempos - A carta de intenções do grupo, num instrumental épico do DJ Caíque que tem um histórico de colaborações com a gente. Piano, hammond, synths, guitarras, vozes etéreas, o clima aqui é grandioso e progressivo.
2 - Território Inimigo - Clima de guerra, instrumental do Nave com strings e muita ambientação. Tiros, gritos de dor, bombas explodindo. Clímax do começo ao fim numa das faixas mais dramáticas do disco.
3 - Centro da Tempestade - Mágica que o Cabes fez, que é um beat com andamento lento, mas que dá a impressão de ser mais acelerado. Refrão clássico do Contra e flows pra cima.
4 - Obedeça - Instrumental soturno produzido por Munhoz. Guitarras com tremolo, flautas, num instrumental cinemático. Os emcees destilam um arsenal de imperativos em direção ao ouvinte. Técnicas de ensinamento subliminar no refrão.
5 - Contraponto - Munhoz no beats mais uma vez, dessa vez num groove 100% brazuca.
Diggin, Pixação, inspiração e dificuldades são os temas. Surpresas no trajeto, caminhe com atenção.
6 - Seguem Contra o Fluxo - Participação Shaw. Beat do Dario
7 - Alameda da Memória - Participação Rodrigo Brandão (Mamelo Sound Sistem) e Espião (Rua de Baixo) - Mais um beat Dario, dessa vez, soul ao extremo, com guitarras e vozes femininas, refrão rimado, refrão de colagens, e rimas que entram num túnel do tempo onde suas experiências pessoais e a história recente do rap se misturam. Se prepare para a nostalgia.
8 - Nem Tudo o que Brilha... - Munhoz num instrumental suingado e grandioso, com direito a strings e synth bem west coast, onde os emcees dão a sua visão sobre a cena atual com muita ironia. Refrão cantado e pra cima que resume a intenção do som.
9 - Independente - Cabes nos presenteia com um beat suave, onde rhodes, guitarras com wah e ximbais tercinados servem como pano de fundo, para os emcees fluirem sobre suas convicções.
Destaque para o refrão de colagens, onde o DJ Willian mostra porque é considerado um dos melhores DJ's de sua geração. O moleque rima com as mãos...
10 - Hora do Rush - Munhoz nos transporta em mais um instrumental cinemático onde os emcees relatam um fim de tarde em São Paulo. O clima é de caos. Mais uma vez DJ Willian mostra sua habilidade nos scratches.
11 - Sexta-feira - Passada a Hora do Rush, chega o momento de relaxar, encontrar os amigos, beber uma cerveja, aproveitar a noite. Participação de Bela Fernandez e Jeff. Instrumental de Munhoz. DJ Willian nos Cuts.
12 - Ruas - Aqui, Ogi, Nairóbi, Nave e Deja Vu, mostram um outro lado das ruas de SP e CWB.
Beat de Nave e riscos do DJ Willian.
13 - Medo - Nave novamente, mas dessa vez os convidados são Rick e Leco que junto a Munhoz e Ogi, nos falam sobre seus Medos.
14 - Provações - Parceria no beat de Ogi e Munhoz. Gravada inicialmente para uma coletânea de hip hop nacional que seria lançada no Japão, tem uma letra que mostra os emcees enxergando o mundo através dos olhos de um dekasegui. Munhoz e Jeff no Refrão.
15 - Corrente do Bem - Produção de Munhoz, num instrumental que nos remete à música brasileira, algo entre a bossa nova e o samba. Letra positiva e um refrão com uma melodia incomum nos dias de hoje.
16 - Verdes Montes - Dario num beat redentor. E é isso que a letra fala. Encontrar a redenção, um lugar pra descansar, jogar o corpo, no fim dessa caminhada. Mas ainda não chegou a hora.
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31.10.07
Superação - Na vida tudo é movimento
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